quarta-feira, 23 de setembro de 2020

BAÚ DE HISTÓRIAS



Saudades de um pequeno baú que ganhei da minha querida avó materna Leodovina quando eu tinha seis anos. Um pequeno baú feito totalmente em madeira, com um minúsculo cadeado e uma chave bem pequenininha.

Quando completei seis anos minha avó deu o bauzinho de presente para mim, desejou feliz aniversário, alguns beijos e disse: Parabéns, querido netinho Luiz Carlos, este bauzinho é para você guardar todos os seus sonhos quando você crescer e quando eu não estiver mais presente neste mundo lembrará de mim com muito carinho.

Peguei o pequeno baú, esbocei um sorriso, dei um abraço na minha avó e fiquei a imaginar: “Poxa! para que serve um baú? Tão pequeninho, não cabe nem minhas bolinhas de gude, minhas figurinhas!” Guardar meus sonhos? Naquele exato momento não via nenhuma utilidade para o pequeno baú.

Quando completei sete anos comecei a vender alguns pirulitos que minha mãe fazia, pelas ruas próximo da minha casa no bairro Ponte Rasa, zona leste da cidade de São Paulo e todo o dinheiro arrecadado guardava no meu bauzinho, trancava cuidadosamente com um pequeno cadeado e escondia a chave dentro da minha caixinha de lápis de cor, com o dinheiro ganho com o fruto do meu humilde “trabalho” comprava algumas balas, algumas bolinhas de gude e se sobrasse algum dinheiro adquiria alguns envelopes de figurinhas para preencher meu álbum El Cid.

Aos nove anos o senhor Heitor, amigo do meu pai, fez uma caixa de engraxar sapatos e eu fui engraxar sapatos na frente da minha casa no bairro Ponte Rasa, zona leste da cidade de São Paulo e lá estava o bauzinho ganho da minha avó recebendo as poucas moedas que seriam gastas em folhas de papel de seda, varetas, cola para confeccionar minhas primeiras pipas.

Por algum tempo o pequeno bauzinho ficou repousando entre os meus objetos que eu possuía sem exercer nenhuma atividade e quando chegou minha adolescência, aos catorze anos conheci minha primeira namorada que adorava escrever cartas de amor.

Quase todas as semanas eu recebia uma carta de amor da minha querida namorada e não sabia onde poderia guardá-las e foi aí que novamente meu pequeno baú entrou em ação.

Todas as cartas de amor que eu recebia eu colocava dentro do bauzinho, trancava e escondia o mesmo dentro do meu guarda-roupas para que minhas irmãs não lessem.

Já com dezesseis anos comecei a frequentar um clube popular chamado Centro Educacional da Moóca e todos os sábados eu ia tomar um banho de piscina e arejar a mente do estafante serviço de office-boy no centro de São Paulo e sempre levava meu bauzinho repleto de cartas de amor guardadas com muito carinho e entre um mergulho e outro na piscina abria cuidadosamente o pequeno baú, retirava uma carta a esmo e começava a lê-la e viajar no tempo.

Até eu completar vinte e um anos meu pequeno baú serviu para guardar vários objetos de valor: relógios, anéis e alguns documentos que eu julgava ser de valor.

Comprei um lindo par de alianças de ouro e guardei cuidadosamente no meu pequeno bauzinho até o dia do meu noivado e quando chegou o dia de ficarmos noivos, abri cuidadosamente meu pequeno baú, retirei as alianças, fechei-o e coloquei o mesmo dentro do meu guarda-roupas e segui para a casa da minha namorada, entrei sorrateiramente e coloquei delicadamente a aliança no dedo da minha namorada que estava dormindo e quando ela acordou, pedi para ela olhar para a mão direita e perguntei se ela estava feliz. Um carinhoso abraço e um demorado beijo surgiu como resposta.

O tempo foi passando e lá estava meu bauzinho repousando dentro do guarda-roupas e foi quando minha noiva completou vinte anos e comprei uma linda caneta tinteiro banhada a ouro na Rua sete de Abril, no centro da cidade de São Paulo e pedi para o pessoal da loja onde comprei a aliança gravar o nome e a data  do aniversário da minha noiva, cheguei em casa, abri o baú e coloquei a caneta e lá a mesma ficou até o dia do aniversário da minha noiva quando dei de presente no dia do aniversário.

Casamos e no dia do nosso casamento dei o bauzinho de presente para minha noiva e quando ela abriu o mesmo e encontrou uma pequena chave e uma carta ficou muito surpresa e começou a ler a carta e as lágrimas começaram a surgir nos olhos da minha querida esposa. Dobrou cuidadosamente a carta, colocou-a dentro do bauzinho me deu um caloroso e apertado abraço e disse:

Que lindo este presente! Então quer dizer que você comprou uma casa para nós construirmos nosso lar?

Após o casamento não tive mais acesso ao Baú de histórias, pois o mesmo pertencia a minha esposa e todas às vezes que acontecia algo de bom ela vinha com o bauzinho depositava no meu colo e dizia:

Abra-o, aí está mais um presente para você meu querido.

Abri o baú e lá estava a chave do nosso primeiro  carro que ela tinha comprado em uma agência do bairro do Tatuapé.

Às vezes eu perguntava se ela estava cuidando bem do bauzinho e ela sorria e  falava que sim até o dia em que veio sorrindo angelicalmente e pediu para eu abrir o bauzinho e quando abri o mesmo e retirei o  resultado do exame de gravidez, abracei-a entre lágrimas e disse alegremente:

- Você está grávida sua linda! E ela respondeu: Sim, sim e acredite tentei fazer surpresa para você e consegui.

Naquele dia comemoramos bebendo um bom vinho com uma tábua de frios sob a luz de velas e decidimos dar o bauzinho para nosso filho que iria nascer e contar toda a história do Baú para ele. Meu filho ficou com o baú seguindo toda a tradição da nossa família e recentemente deu de presente para minha neta o pequeno Baú com a seguinte lembrete: Guarde e zele muito bem por este bauzinho que seu avô ganhou quando ele era criança. Dentro deste baú passou uma vida, a vida da nossa família.

 


terça-feira, 22 de setembro de 2020

MAPPIN

  


 E assim que desembarcou na antiga rodoviária da estação da Luz, dentro do ônibus observou uma grande movimentação de pessoas que passavam rapidamente com enormes malas pra lá e pra cá.
        O motorista abriu o grande compartimento que ficava na parte debaixo do ônibus, colocou as enormes malas do senhor João no chão, conferiu o bilhete e fechou rispidamente o enorme “maleiro” e disse:
- Felicidades e muito sucesso nesta grande metrópole!
O senhor João, sua esposa Maria e os seis filhos pequenos pegaram as enormes malas e saíram silenciosamente pelas ruas da redondeza da rodoviária sem destino, entraram num pequeno boteco e pediram alguns pastéis e duas tubaínas e lá ficaram a degustar os pastéis e olhando toda aquela movimentação da rua com muito receio da grande metrópole chamada São Paulo.
        Após saciarem a enorme fome de todos, saíram silenciosamente olhando para o chão enquanto as crianças admiravam com muita alegria e ansiedade tudo e todos.
        Embarcaram em um ônibus lotadíssimo com destino a zona Leste de São Paulo onde poderiam rever um compadre que tinha vindo para a cidade há muitos anos e prontificou-se a recebe-los até que arranjassem um pequeno cômodo por lá mesmo, um emprego e a vida pudesse ganhar o seu rumo na grande cidade.
        Durante o café da manhã o compadre disse ao senhor João:
- Olha compadre, vocês podem ficar aqui na nossa humilde casa morando conosco até “aprumarem” e depois que conseguirem um pequeno cômodo por aqui mesmo, tenho um pequeno serviço para o senhor.
O senhor João olhou para o compadre e foi logo perguntando:
- Mas que tipo de serviço eu poderia fazer se só sei capinar roçado, cuidar de gado e cortar lenha?
O compadre foi logo explicando que conhecia um senhor que trabalhava numa agência de publicidade e sempre estava precisando de pessoas para carregar algumas placas com propagandas pelo centro de São Paulo.
O senhor João um pouco receoso perguntou:
- Mas, Compadre, será que eu sirvo pra este tipo de serviço? Afinal nem ler e escrever eu sei!
- Ora compadre, é só carregar a placa pra lá e pra cá e ficar orientando o pessoal para ir até a loja, muito fácil o serviço e nem é necessário ser “letrado”.
        No outro dia lá estavam os compadres descendo do ônibus no centro da capital paulista e entrando numa agência de publicidade e o senhor João foi apresentado para um senhor obeso que fez algumas perguntas para o senhor João e alguns minutos depois lá estava o senhor João em frente a uma grande loja de departamentos chamada Mappin.
        Após algumas orientações do senhor obeso o senhor João foi “abandonado” em frente ao Mappin com uma enorme placa que cobria todo o seu esquelético corpo e seguiu entrando pela rua Sete de Abril com destino a Praça da República.
        O senhor João muito apreensivo andava pela praça toda e sempre o seu olhar parava naquela enorme loja de departamentos chamada Mappin e então ele ficava imaginando o que poderia ser encontrado naquela linda e majestosa loja com um enorme relógio, muitas letras que ele não conseguia identificar por não saber ler.
        Pessoas passavam apressadas e a maioria nem parava para observar a insignificante presença do senhor João e no finalzinho da tarde quando uma enorme chuva fez todos encostarem embaixo de enormes toldos o senhor João coçou a enorme barba e ficou com muita vontade de entrar naquela linda loja.
        O senhor obeso apareceu e depositou uma quantia em dinheiro na mãos do senhor João desejou uma boa noite e pediu que na manhã seguinte estivesse no mesmo lugar em que estivera naquela manhã e saiu apressado pelo viaduto do Chá.
        O senhor João parou em frente a grande loja e decidiu entrar e vagarosamente atravessou o andar térreo repleta de pessoas olhando tudo e ficou a imaginar na grandiosidade daquela cidade e foi andando entre alguns esbarrões parou diante de uma enorme vitrine que vendia brinquedos e humildemente perguntou quanto custava aquela pequena bonequinha com um lacinho na cabeça, a vendedora muito atenciosa disse o preço, o senhor João enfiou a mão no bolso da carcomida calça e retirou a quantia exata para adquirir aquela linda bonequinha para levar para sua filhinha caçula.
        Chegou em casa após duas horas dentro do sufocante ônibus, entrou sorrateiramente e depositou a bonequinha ao lado da filhinha que já estava dormindo, tomou um banho e foi dormir ao lado da esposa e ainda teve tempo de dizer sobre o presentinho que tinha comprado na grande loja chamada Mappin.

        Adormeceu muito feliz com a imagem da grande loja de departamentos na cabeça e o rostinho de felicidade da filhinha no dia posterior quando iria ganhar a linda bonequinha comprada no Mappin.
  

        

        

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

ANJOS DE SAMPA


A ideia surgiu do amigo Marcelinho durante uma reunião numa churrascaria na Vila Maria Baixa.
Entre vários pedaços de carnes assadas o querido amigo sugeriu que talvez fosse muito gratificante ajudar alguns moradores de rua, fornecendo roupas e comida para este pessoal que tanto necessita de comida, carinho e atenção.
Marcamos um novo encontro e imediatamente colocamos na rede social (Facebook) que estávamos arrecadando roupas de todos os tipos e mantimentos para darmos aos moradores de rua e na primeira semana de janeiro as primeiras roupas e mantimentos começaram a ser arrecadadas e ficavam armazenadas no meu quarto, que seria a central de armazenamento das roupas e mantimentos.
A semana foi passando e a Rosana, tia do Marcelinho disse que poderia preparar os marmitex e assim os alimentos também começaram a chegar: arroz, feijão, óleo e todos os tipos de alimentos que seriam utilizados para o preparo dos marmitex.
Tínhamos definido um dia para sair e entregar as roupas e os marmitex para o pessoal morador de rua: seria,17 de janeiro de 2013.
Lá pelas sete horas da noite, distribuímos todas as roupas pelos dez carros que comporia a caravana da solidariedade e fomos pegar os marmitex na casa da Rosana no Jardim Brasil e assim que tudo estava arrumado, lá pelas dez horas da noite, rumamos muito feliz para o metrô Santana para entregar os primeiros marmitex e roupas. Paramos os carros e imediatamente o pessoal morador de rua começaram acanhadamente a chegar e escolher algumas peças de roupas e receber o marmitex. Agradeciam e saiam humildemente e iam sentar-se num canto qualquer para comer a única refeição do dia, com a cabeça baixa e olhares perdidos na imensidão de pessoas que passavam rapidamente sem olhar para ninguém.
Num determinado instante quando eu estava parado distribuindo os marmitex para o pessoal, apareceu um rapaz e após receber a comida disse:
- O Du, você não se lembra de mim não?
Um pouco envergonhado em não reconhecer o rapaz disse:
- Você me desculpa amigo, mas não estou reconhecendo você não!
Ele com os olhos cheios de lágrimas disse:
- Pois, é amigão, estudamos juntos, éramos colegas de classe, lembra-se?
Após alguns minutos tentando lembrar-me do rapaz, consegui recordar e dei um fraterno abraço no querido amigo da escola e ele contou-me como tinha ido parar na rua e aquilo me deixou muito triste e emocionado, mas continuamos nosso caminho e fomos até o Mercadão Municipal e lá entregamos mais alguns marmitex e seguimos direto para Praça da Sé, onde existem muitas pessoas em condição de morador de rua.
Chegamos na Praça da Sé, sob uma linda lua que iluminava toda a praça e com todo o nosso trabalho de ajudar o próximo e paramos os carros ao lado da catedral da Sé e anunciamos que tinha muitos marmitex pra todos e foi um corre-corre danado e logo se formou uma grande fila para retirar os marmitex que foram consumidos em menos de uma hora. Pegavam os marmitex e sentavam-se nos bancos da Praça e ficavam comendo humildemente foi quando chegou uma garota que estava com uma enorme barriga e disse que queria um marmitex e eu disse:
- Querida, sinto muito, todos os marmitex foram distribuídos e não restou nenhum.
Imediatamente um morador de rua apresentando muita fome deu o seu marmitex para a garota grávida e disse:
- Olha moça, pode comer o meu marmitex, afinal você está grávida e necessita dar comida para o seu filhinho, depois eu me viro.
Aquele gesto cortou meu coração, meti a mão no bolso e dei um dinheiro para o morador de rua comer um marmitex num restaurante da Praça.
A alegria de ver todo aquele pessoal comendo e escolhendo algumas roupas nos carros é indescritível e assim que todas os marmitex acabaram, pedimos a todos que déssemos as mãos e orássemos o Pai-Nosso e agradecêssemos a Deus aquele momento maravilhoso.
Uma grande roda de pessoas que receberam a comida e as roupas foi formada na Praça entre nós participantes e assim que a oração terminou, um participante morador de rua pediu a palavra e disse:
“Em uma roda de oração se abrirmos os olhos e olharmos para o lado veremos que somos todos iguais perante a Deus”.
Os carros foram ligados e estávamos saindo da praça foi quando ouvimos de um morador de rua falar: “Se existe Deus de milagre, faz meu milagre acontecer”.
Lentamente os carros foram saindo da Praça da Sé e fiquei em grande silêncio agradecendo a Deus por participar deste ato de solidariedade que com certeza foi abençoado por Deus.
Ainda tivemos tempo de parar na Padaria Rossi na Vila Maria Baixa para comermos alguns lanches e agradecer a Deus mais uma vez este lindo ato de amor ao próximo.
Agradeço de coração a todos que partiparam deste ato de amor, que foram: Leonardo Martins, Milla, Fernanda, Diego, João, Marcelinho, Serjão, Nino, Volnei, Felipe, Rosana (nossa querida cozinheira), a namorada do Felipe, a sobrinha do Felipe, Carine, Matias, Rebelde e a todos que forneceram roupas e direta ou indiretamente ajudaram a amenizar a dor deste pessoal tão necessitado que são os moradores de rua. Deus abençoe a todos! Muito Obrigado!
Carlos Eduardo Martins de Aquino (Du)

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O TROPEIRO

 


Das poucas lembranças que ainda guardo do meu querido avô paterno José Raimundo da Silva era quando estávamos sentados ao redor de um fogão à lenha numa casinha feita de barro na cidade de Salesópolis, interior da cidade de São Paulo.

Durante as minhas férias minha mãe e meu pai permitiam que eu ficasse alguns dias naquele paraíso. Eu era garoto de dez anos e adorava quando eu pedia para meu avô contar histórias do passado e ele a princípio não gostava muito, pois, meu avô era de pouca prosa, mas de tanto eu insistir ele arriscava algumas poucas palavras.

Eu era muito curioso e as perguntas eram constantes e às vezes sentia que meu avô ficava um pouco zangado durante a enxurrada de perguntas e quem vinha ao socorro era minha avó Maria, esposa do avô Raimundo interferia na conversa e dava a versão dela a pergunta feita. O que eu gostava mesmo de perguntar era a origem, como moravam, onde trabalhavam e sentia que meu avô sentia-se um pouco envergonhado de falar da onde ele veio.

De tanta insistência acabei descobrindo que meu avô tinha sido tropeiro e eu na época nem sabia o que era tropeiro e foi então que olhos do meu avô brilhavam e ele começava a relatar em poucas palavras como era a vida de tropeiro quando ele era jovem.

O grande comércio de muares era realizado na cidade de Sorocaba, interior da cidade de São Paulo e meu bisavô e a peãozada saiam de Mogi das Cruzes e iam tocando os bois, cavalos e mulas com destino a Sorocaba para vender os bois, as mulas e fazer algumas trocas. As mercadorias, a tropa pertencia a um rico fazendeiro que enviava um homem com a peãozada para negociar em Sorocaba.

Demorava uma semana para atravessar as 47 léguas, aproximadamente 200 quilômetros que separavam as duas cidades e o caminho era de grande dificuldade, pois, tinham que atravessar rios e encarar o difícil caminho. Andavam durante o dia e a noite montavam os ranchos que era uma enorme lona onde a peãozada fazia as comidas que levavam: carne seca, farinha, toucinho, café, açúcar, fubá e pimenta-do-reino. O fogão onde eles preparavam as comidas era improvisado e quando chegavam o peão que era encarregado de cozinhar já construía o fogão em três pedras grandes em formato de um triângulo ou colocavam três varas em pé e acendia o fogo com lenha obtida no meio do mato.

Após relatar a ida de Mogi das Cruzes até Sorocaba meu avô falava que ele não chegou a fazer este trajeto e sim o pai dele que fazia.  Meu avô tinha sido tropeiro, mas apenas conduzia os animais de uma fazenda até outra fazenda.

Assim que meu avô disse que ele não tinha feito o caminho de Mogi das cruzes até Sorocaba fiquei um pouco triste, mas optei em não interferir para não quebrar o encanto da narrativa e tentar arrancar mais algumas palavras do meu avô.

Como eu sempre gostei de mato, de roça ficava imaginando o tanto quanto seria legal estar com eles nesta maravilhosa e sofrida viagem, colocava as mãos no queixo e ficava atento ao resto da narrativa.

Desarreavam os cavalos e deixava eles pastando enquanto alguns armavam suas redes, outros dormiam em esteiras ao redor da grande fogueira que faziam para espantar os animais que porventura se aproximassem.

De vez em quando meu avô parava de falar e ficava pensativo mexendo no tição do fogão à lenha e o silêncio me incomodava e eu fazia outra pergunta:

— Vô, vocês levavam suas mulheres e filhos para viajar com vocês?

Meu avô sorria e balançava a cabeça negativamente, economizando palavras e eu aceitava aquela vazia resposta e pedia ajuda para minha avó tentar fazer ele contar mais um pouco da história.

Após alguns minutos meu avô nos abandonava e saía um pouco para o grande quintal para dar milho para as galinhas e eu ficava imaginando o quão sofrido devia ser aquela longa viagem.

Depois de muito tempo conversando com meu pai José da Silva soube que meu avô morou muito tempo no bairro da terceira em Biritiba Mirim e em outra época morava perto do rio itapanhaú onde plantavam bananas e meu avô ia comercializar em Bertioga. Ia a pé com vários cachos de bananas e ainda levava meu pai em cima dos cachos de bananas, realmente ele era muito forte, falava meu pai.

Era hora de voltar para minha casa, pois, minha mãe tinha ido me buscar e durante a longa viagem de Salesópolis até São Paulo quando estávamos no trem ficava olhando as matas, as árvores e ficava imaginando que meu avô deveria ter passado por aqueles lugares.

Chegava em casa e ficava torcendo para que as próximas férias viessem logo para eu poder ouvir as maravilhosas histórias do meu querido avô tropeiro Raimundo José da Silva.

ANA SEXTA FEIRA


Depois de um longo período de árduos estudos consegui ser aprovado em um Concurso Público para trabalhar na Faculdade de Odontologia de São José dos Campos, interior da cidade de São Paulo como Auxiliar Administrativo.

Após a vasta documentação ser entregue no Recursos Humanos, fazer exame médico, fiquei aguardando a publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Demorou apenas quinze dias e fui convocado para iniciar minhas atividades na Faculdade.

No primeiro dia de serviço em qualquer lugar do mundo, ficamos muito apreensivos, ansiosos e sedentos para saber aonde iremos trabalhar, quais pessoas conheceremos, como será o ambiente de trabalho.

Apresentei me no RH no dia especificado e lá estava o Luizão, chefe do RH que se apresentou e levou eu até uma minúscula salinha e apresentou-me para o Carlos chefe da seção onde eu iria trabalhar. Naquele exato momento quase chorei de raiva e pensava: caramba! Estudei tanto, dei o melhor nos estudos, passei noites em claro debruçado em cima de apostilas, resolvendo vários exercícios de matemática e Língua Portuguesa e acabo caindo neste lixo. Respirei fundo, enxuguei um pouco do suor, esbocei um sorriso no canto da boca e assim fui abandonado naquela minúscula salinha. O Carlos apontou uma mesinha toda velha onde eu iria ficar e começou a explicar o que eu iria fazer, fiquei atento e após todo o dia explicando e apresentando todos os departamentos da Faculdade estava decidido a continuar, pelo menos por alguns dias ou meses para ver o que acontecia.

O Carlos era uma pessoa de muito alto astral, de bem com a vida, sorridente e de pouca idade assim como eu que tinha apenas vinte e um anos.

A Faculdade de Odontologia naquela época, 1978, parecia uma pequena cidade onde todos se conheciam e era muito movimentada, pois, oferecia tratamento dentário gratuito para as pessoas que necessitavam. Com o passar do tempo já me sentia em casa e aprendi todo o serviço que consistia em cadastrar todos os bens móveis da Faculdade e identificar e apresentar um relatório mensal atualizado, era a seção de Patrimônio.

Eu, naquela época fazia um curso Técnico em uma escola Técnica Federal em São José dos Campos, era casado recente e todos os dias eu ia a pé até a Faculdade.

O Carlos, muito brincalhão e sorridente começou a colocar apelido em todas as pessoas que trabalhavam na Faculdade e ainda me envolvia nas suas brincadeiras, no início ficava um pouco temeroso, mas com o passar do tempo até sugeria alguns apelidos, foi o que aconteceu com uma colega que trabalhava no Departamento de Dentística e fui logo sugerindo durante um bate-papo na hora do almoço:

— Carlão, o que você acha da Ana? Após alguns segundo pensando o Carlão respondeu:

— Ah! Acho ela uma pessoa muito brincalhona, feliz com a vida, muito sorridente, por quê?

- Você não pensa que a Ana tem a cara da sexta-feira?

Após uma sonora gargalhada o Carlão disse:

— Está aí, a partir deste momento está decretado que nossa querida Ana passará a chamar-se Ana Sexta Feira, e não falamos mais nisso e que ela demore a descobrir o que se enconde atrás dos nossos sorrisos quando ela aparecer na nossa frente.

O tempo foi passando e a relação de pessoas que iam ganhando apelidos era enorme e sempre que a Ana ia tirar xerox passava na nossa minúscula salinha para dar um alô e jogar meia dúzia de palavras fora e era quando começávamos a sorrir.

Inicialmente a querida colega Ana não entendia nada o que estava acontecendo e a conversa continuava normalmente até que em um dia no Diretório Acadêmico da Faculdade, exatamente em uma sexta-feira estávamos bebendo algumas cervejas para oxigenar a mente e após alguns copos de cervejas a Ana fez a seguinte pergunta:

- Sabe pessoal, tenho notado que quando apareço na seção na qual vocês trabalham vocês ficam com sorrisinhos entre uma conversa e outra, o porquê destes sorrisos?

O Carlão olhou pra mim e resolvemos contar para a Ana o porquê dos nossos sorrisos: e o Carlão falou:

- Sabe Ana, eu e meu amigo Luiz começamos a apelidar todos os funcionários da Faculdade e você também ganhou um apelido, sabia? A Ana muito curiosa quis saber qual era o apelido e foi logo perguntando:

— Qual apelido vocês deram para mim e o por quê?

O Carlão sorrindo disse: seu apelido é Ana Sexta Feira e já foi logo explicando: porque você tem a cara da alegria, a cara da felicidade, é uma pessoa muito bonita e gostamos muito de você.

Sentimos algumas lágrimas rolarem no rosto da Ana e ela levantou e deu um forte abraço na gente e agradeceu muito pelo apelido e nós ficamos aliviados em acertar o apelido para nossa amiga.

A partir daquele dia a Ana que já era uma pessoa muita alegre, extrovertida sempre que nós nos encontrávamos ela sorria com aqueles lindos dentes branquinhos e dizia:

- Já sei que meu apelido é Ana Sexta Feira e tenham um bom dia! e saía apressada sempre sorrindo para levar um documento em algum departamento.

Quando chegou final do mês de janeiro de 1981 minha esposa Ivete ía ganhar o primeiro filho, o Márcio e eu estava muito feliz e disse para Ana se ela poderia levar minha esposa de São José dos Campos até Jacareí quando o garoto nascesse e ela prontamente disse que sim. Naquele dia foi muito engraçado, pois, fomos até o hospital no lindo fuscão vermelho que a Ana tinha e ela falava: Segura que aqui é volante! e sentava o pé no acelerador. Chegando em casa ela se prontificou a furar o bico da mamadeira para dar a um chazinho para o Márcio e quase matamos o garoto, pois, a Ana fez um buraco muito grande na pequena mamadeira e ele se engasgou. Após o susto passar, entre um sorriso e outro a Ana se despediu desejando Felicidades para todos nós.


Todas as sextas-feiras participávamos de um jogo de futebol na quadra devidamente uniformizados e já tínhamos até torcida organizada e sempre nossa querida Ana Sexta Feira fazia se presente.E quando para nossa surpresa a Ana falou que iria se casar que gostaria muitíssimo que fossemos e foi um casamento muito diferente, pois, não sabíamos que o namorado da Ana era um soldado do Corpo de Bombeiros e quando todos estávamos dentro da igreja escutamos várias sirenes ao redor da igreja e saímos para ver o que estava acontecendo e eis que parou um carro da corporação do corpo de bombeiros e a Ana saiu do carro toda sorridente e entrou na igreja com aquele sorriso maravilhoso.


O tempo foi passando, passando e em um determinado dia após eu me formar em Eletrônica fui trabalhar em uma fábrica de equipamentos para Aeroportos. Despedi-me de todos, dei um forte abraço na querida Ana Sexta Feira e saí com aquele sorriso lindo na minha mente da querida Ana, Ana Sexta Feira.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

CACHORRO LOUCO

 Eu tinha sete anos e minha companheira era a teimosia, eu realmente era muito teimoso, quando pediam para eu não fazer nada que poderia me prejudicar então era hora da teimosia entrar em ação

Adorava empinar pipas, assim como todos os garotos da região onde eu morava e nosso local predileto era em um grande parque existente na frente da residência da nossa família. Geralmente eu ia empinar pipas com meu pai, aos domingos de manhã e nem sempre existia vento suficiente para colocar minha pipa no ar. Minha mãe nunca deixava eu ir ao parque sozinho. Então eu ficava observando os moleques empinarem as pipas do muro que existia em frente a nossa residência e ficava muito triste e zangado por não poder estar empinando pipas com meus amiguinhos. Resolvi tomar uma atitude drástica e fui falar com minha mãe da minha revolta, da minha tristeza em ver meus amiguinhos empinando pipas e eu não poder participar e fui logo dizendo:

— Mãe, porque a senhora não deixa eu empinar pipas com meus amiguinhos? Ela calmamente pediu que eu sentasse em uma cadeira e foi falando.

sabe porque meu filho, porque é perigoso estar sozinho no parque e você ouviu dizer que tem um homem pegando crianças, colocando em um saco e depois joga dentro de um rio? Fiquei alguns minutos pensando na grande mentira que minha mãe estava tentando eu fazer acreditar, embora às vezes ficava muito apreensivo e falei.

— Mas mãe, é só um pouquinho, depois entro vou tomar banho, jantar e ir dormir, posso?

Senti um olhar fulminante da minha mãe e já esperava ela negar e foi quando ela falou.

— Está bom filho deixa a mãe acabar de estender esta roupa que vou um pouquinho com você no parque para você soltar seu quadrado. Entrei correndo para dentro de casa e peguei a minha pipa e a linha e corri para a frente da minha casa para esperar minha mãe.

Os minutos foram passando, passando e nada de aparecer minha mãe para irmos ao parque, desci sorrateiramente a grande escada existente na nossa residência, abri o portão e fiquei imaginando: já que minha mãe não aparece vou dar uma fugidinha e ela nem irá perceber.

Fechei o portão e observei que vinha na calçada um cachorro babando e quando passou perto de mim, tentei espantá-lo com medo que me mordesse e inesperadamente ele avançou em mim e mordeu minha mão e minha coxa esquerda e foi embora. A mordida doía muito e voltei correndo para contar o ocorrido para minha mãe que imediatamente começou a fazer o curativo sob uma enorme bronca. Após ser medicado com algumas ervas minha mãe pediu para eu ficar quietinho no sofá que ela iria preparar o jantar.

Passados alguns minutos apareceu a Marinilza que era uma vizinha e pediu para falar com minha mãe, eu corri até a cozinha e anunciei a presença da vizinha que passaram a conversar sobre o cotidiano e eis que em um determinado momento ela disse:

— Sabe Thereza, não deixa o Luiz sair sozinho por aí que disseram que tem um cachorro louco babando dando voltas pelo bairro. Minha mãe pediu mais detalhes sobre o cachorro e chegaram a conclusão que eu tinha sido mordido pelo cachorro louco.

Minha mãe agradeceu a Marinilza pela informação e voltou para mim e disse: assim que seu pai chegar nós vamos ao médico para saber como devemos fazer.

Comecei a soluçar baixinho e pensava que eu também iria ficar louco. Meu pai chegou, chamaram um táxi e dentro de uma hora estávamos na frente de um enorme hospital chamado Emílio Ribas.

O médico me atendeu, os enfermeiros fizeram alguns curativos e receitou tomar vinte e uma injeções na barriga uma injeção por dia.

Eu odiava injeções e voltamos para casa e no outro dia minha tia Terezinha foi levar eu até o hospital para tomar a primeira injeção na barriga.

Era uma verdadeira aventura chegar até o hospital, pois, eram necessários tomar dois ônibus para ir e dois ônibus para voltar e estava começando a gostar das viagens cotidianas para chegar até o hospital.

Lembro-me de dois fatos muito engraçados que aconteceram durante as nossas viagens: O primeiro foi quando eu embarquei e minha tia ficou do lado de fora e o motorista começou a acelerar e o pessoal a gritar que tinha ficado um menininho órfão sozinho. Minha tia entrou no coletivo e xingou muito o motorista e eu apenas sorria.

Em outra ocasião quando estávamos passando em frente a estação ferroviária Júlio Prestes, no centro da capital paulista observamos que tinha uma multidão e nos aproximamos e lá estava o querido Mazzaropi participando de mais uma filmagem de um filme que estava sendo filmado naquele tempo.

Depois de alguns dias tomando a vacina para cachorro louco já nem chorava mais, tinha acostumado com a mesma e as enfermeiras até brincavam comigo, enaltecendo minha coragem.

O tempo passou e as vinte umas injeções foram aplicadas na minha barrica e não senti nenhum sintoma de loucura o que tranquilizou muito meus pais que a partir daquele momento sempre ficavam vigiando minhas atitudes que pareciam normal e até hoje quando me dispo e vejo a cicatriz lembro desta fantástica história.

AS MELHORES EMISSORAS DE RÁDIO

 


Se eu fosse milionário eu compraria três emissoras de rádios: Rádio Bandeirantes, Rádio Jovem Pan e Rádio CBN, pois são as rádios que ouço diariamente na minha casa atualmente. Aprendi a ouvir rádio quando eu tinha dez anos de idade, hoje estou com sessenta e quatro anos, então ouço rádio exatos cinquenta e quatro anos. Tudo começou quando morávamos em um bairro chamado Ponte Rasa, no extremo leste da cidade de São Paulo. Em 1965 lembro que quando acontecia o clássico jogo São Paulo x Santos e meu pai me convidava para ouvirmos o jogo deitados embaixo de um pé de abacate e o radinho sempre sintozidado na Rádio Bandeirantes AM. Nosso vizinho era santista e ele também gostava de ouvir os jogos que eram narrados pela rádio. Então ele ficava ouvindo o jogo na residência e nós ficávamos ouvindo o jogo embaixo do pé de abacate.

Naquela época o Santos tinha dois jogadores de futebol maravilhosos: Pelé e Coutinho, e o time era quase que imbatível, mas mesmo assim quando acontecia o jogo ao qual o São Paulo FC enfrentava outro time qualquer lá estávamos deitados e escutando o jogo, geralmente pela Rádio Bandeirantes. Era uma verdadeira festa na nossa mente quando o querido locutor esportivo Fiori Giglioti começava a transmissão: abrem-se as cortinas e começa o espetáculo e então nós ficávamos quietinhos ouvindo um dos maiores e melhores locutores esportivos de todos os tempos. Eu até aquele momento não tinha decidido para qual time eu ia torcer, mas vendo e sentindo a emoção e euforia do meu pai tornei-me São paulino também, nem tanto igual ao meu pai, mas sempre que alguém perguntava qual time eu torcia, respondia muito orgulhoso que era Sãopaulino.

Então a partir daquela época sempre ouvíamos as partidas memoráveis embaixo do grande pé de abacate e foi num determinado dia que ouvindo um jogo embaixo do pé de abacate que meu pai disse que tinha comprado um presente para mim. Olhei para todos os lados e nada vi foi quando ele sorrateiramente tirou do bolso da calças um pacotinho embrulhado e disse:

- Abre Luiz, você vai gostar do presente. E eu um pouco apreensivo não fazia a menor ideia o que fosse o tal do presente e imediatamente rasguei o papel e meus olhos lacrimejaram de tanta felicidade: um radinho de pilha, sim, tinha ganho um simples radinho de pilha! Dei um caloroso abraço no meu pai e imediatamente sintonizei na Rádio Bandeirantes Am. A partir daquele dia comecei a ouvir rádio, não só jogos, mas sim todos os programas, visto que naquela época nós não tínhamos televisão, então o rádio era nosso meio de comunicação.

O tempo foi passando, passando e quando eu tinha dezessete anos conheci a Rádio Pan-americana (Rádio Jovem Pan), lembro-me até hoje que fomos pintar a casa de uma tia e sintonizei meu rádio, que naquela época era um Motorola e lá ficamos a ouvir a Rádio Jovem Pan em um jogo pela Libertadores da América: São Paulo x Atlético. Era finalzinho de janeiro e estava um calor sufocante naquele domingo. O jogo terminou empatado 0 x 0 e a narração maravilhosa de Osmar Santos encantava a todos.

Bom, a partir de 1972 comecei a ouvir a Radio Jovem Pan por ter conhecido um dos maiores locutores esportivos: Osmar Santos, com uma narração vibrante e as partidas pareciam uma festa e um dos jargões que lembro até hoje era: E pimba na gorduchinha!

Nesta época eu já tinha optado em ouvir a rádio Jovem Pan e meu pai sempre fiel aos seus princípios continuava na Radio Bandeirantes e grandes conflitos aconteceram, pois cada um de nós tínhamos nossa preferência. Eu Jovem Pan e meu pai, Bandeirantes. A solução foi cada um ir para o seu canto. O tempo foi passando e conheci a rádio Eldorado FM em 1975 e fiquei encantado com a programação em FM e passei a ouvir a Eldorado e meio dia sintonizava na rádio Bandeirantes para o ouvir Hélio Ribeiro, programa maravilhoso, adorava quando ele traduzia algumas músicas do inglês para o Português. De 1975 até 1980 ouvia a rádio Eldorado FM porque tocava músicas clássicas e tinha uma programação maravilhosa, a imposição de voz dos locutores eram impressionantes, os programas eram para um público erudito, enfim, eu adorava a programação.

Quando chegou 1981 novamente voltei a ouvir a Rádio Jovem Pan Fm e fiquei apaixonado pela programação sempre dedicada ao público jovem e passei a ouvi-la e esporadicamente ouvia a rádio Bandeirantes e Eldorado FM. Foi quando em 1991 conheci a rádio CBN e lá vamos nós trocar de emissora de novo, muitas notícias, muitas informações e o dial ficava 24 horas sintonizado nesta emissora e isto me fascinava naquele momento. Foi uma fidelidade que durou aproximadamente 15 anos e eis que em 2005 um primo disse: Luiz, você que gosta de rádio, inauguram hoje uma rádio chamada BandNews Fm, sintoniza que você vai gostar. Era muito engraçado quando inauguraram ouvir o querido Ricardo Boechat falar que a Barra Funda ficava na zona Norte de São Paulo, estava perdidinho aqui em São Paulo, pois, o mesmo era carioca, cheguei até a pensar: Caramba, este locutor não vai dar certo nesta emissora e o tempo foi passando e ele tornou um ícone da BandNews e eu novamente fixei meu dial na Bandnews e desde 2005 até os dias de hoje fico oscilando entre as quatro melhores rádios em jornalismo: Bandnews FM, Bandeirantes, CBN e Jovem Pan. Estas são realmente as melhores rádios atualmente em jornalismo e às vezes fico pensando: Poxa! Tem locutores maravilhosos nesta rádio, mas também tem naquela outra e naquela outra também e fico imaginando reunir todos esses locutores em apenas uma rádio e eu não ficaria mudando de estação em estação. Ainda há tempo para que tudo isto aconteça.

LIBERDADE

  Há tempos que venho sendo acordado pelo mavioso canto de um pássaro na velha jaqueira existente no quintal da casa onde eu moro. Acordava,...