segunda-feira, 20 de julho de 2020

CONTROLE REMOTO

 
 Uma enorme bandeira do Palmeiras estava hasteada em frente ao bar do Jacaré, grossas fumaças subiam de uma enorme churrasqueira que fora colocada na calçada e os sorrisos de felicidade dos frequentadores misturados com boas doses de cervejas podiam ser ouvidos em todas as esquinas do bairro da Vila Maria Alta, em São Paulo.
         O clima era de final de campeonato onde o Palmeiras iria enfrentar outro time que não me recordo o nome e confesso que senti uma enorme vontade de participar daquela festança toda, mas como meu time não era o Palmeiras optei em ficar sentadinho na calçada na frente da casa da minha irmã Sônia apreciando de longe toda a algazarra dos Palmeirenses.
         Passados alguns minutos apareceu meu sobrinho Evandro no portão e fez o convite que eu estava esperando:
- O tio, que tal a gente beber algumas cervejas no bar do Jacaré e ver esta festa de perto e ainda se dermos sorte poderemos até comer um pedacinho de carne?
Rapidamente levantei-me e seguimos até o bar, pedimos licença e sentamos num banco alto de madeira e pedimos uma cerveja e com um olhar na televisão e outro no abridor fomos servidos sem muita cerimônia pelo Jacaré.
         O jogo estava começando e todos os Palmeirenses acotovelavam-se para ver a escalação do time e nós lá sentadinhos alheios a tudo e a todos. Os gritos de incentivo ao time podiam ser ouvidos a dezenas de quilômetros e subitamente meu sobrinho levantou-se e pediu para eu ficar esperando ele no bar que ele iria até em casa buscar dinheiro e voltaria rapidamente.
Passados alguns minutos lá estava meu sobrinho Evandro de volta e vinha carregando na face um sorriso “maroto”, sentou-se e perguntou quanto estava o jogo e eu disse que o jogo acabara de começar e estava zero a zero e neste exato momento derrubaram um jogador do Palmeiras na área e o juiz assinalou pênalti e pensei que o boteco vinha abaixo tamanho a alegria e felicidade dos torcedores.
         O jogador do Palmeiras tomou distância e o correu para bater o pênalti e exatamente neste instante a imagem da televisão desapareceu e entre milhares de palavrões o Jacaré correu para religar a televisão, subiu num dos bancos de madeira e ligou a televisão e foi muito aplaudido por todos.
         Perguntei ao meu sobrinho o que estava acontecendo e ele com um sorriso de satisfação meneou a cabeça e disse que não sabia de nada.
         O jogo continuava e a televisão fora desligada mais umas duas vezes antes de terminar o primeiro tempo e lá estava o Jacaré a religá-la. Alguns torcedores mais exaltados chegaram a amaldiçoar a quinta geração do dono do boteco e nós lá firme na quinta cervejinha e eis que meu sobrinho comentou:
- Tio, acho que está na hora de irmos embora, pois o pessoal já está desconfiado da gente e quando souberem que estou com o controle remoto da televisão da minha casa seremos apenas duas pessoas mortas e saímos de fininho e meu sobrinho ria alto e balançava o controle remoto. Conseguimos sobreviver para contar mais esta patifaria aprontada pelo meu querido sobrinho Evandro. Controle remoto.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

VIAGEM DE TREM

  Se existiu outra vida, outra encarnação, posso garantir com toda convicção que eu fui maquinista de trem e morava na praia.
         A minha paixão por trens é inefável, talvez pelo barulho da locomotiva, pelo som maravilhoso das rodas dos trens em contato com os trilhos e aquele cheiro agradabilíssimo de querosene misturado com óleo e o tradicional apito que faz pular nossos corações de alegria.
         Decidimos fazer uma viagem de São Paulo até Santos e naquele domingo ensolarado lá estávamos nós com nossas mochilas repletas de guloseimas, binóculos  e uma filmadora na Estação de trem Júlio Prestes aguardando a chegada da locomotiva que iria nos levar a um dos passeios mais lindo de toda a minha vida.
         Os bilhetes da viagem já estavam comprados com antecedência e ao chegar a Estação Júlio Prestes notamos ao descer as escadas muita alegria entre o pessoal que iria viajar para Santos.
         Chegamos e sentamos num enorme banco de madeira e ficamos aguardando o trem com muita ansiedade e muito feliz e não demorou muito ouvimos um apito e o trem foi chegando mansamente na estação, a locomotiva encostou-se à plataforma e o barulho das rodas em contato com os trilhos, o cheiro forte de querosene misturavam com nossa felicidade.
         As portas dos vagões foram abertas e entramos calmamente a procura dos nossos lugares e notamos que o maquinista estava andando pelos vagões dando-nos boas vindas e dizendo que a viagem demoraria aproximadamente cinco horas, que existia um vagão restaurante e que aproveitássemos todas as paisagens encantadoras que iríamos ver ao longo da viagem.
         As portas dos vagões fecharam e o trem foi saindo vagarosamente da estação emitindo vários apitos e nossos corações repletos de alegria abriam sorrisos de felicidade.
         As primeiras paisagens não eram lá muito encantadoras aos nossos olhares, pois estávamos saindo da grande metrópole e o que víamos eram prédios, carros, rodovias e o mais encantador era o som constante e repetitivo da locomotiva.
         Como a viagem era longa resolvi abrir um pequeno livro para ler e passei os olhos por algumas páginas e constantemente era convocado para ver algum detalhe que passava pela janela do vagão e finalmente abandonei o livro numa das mochilas e comecei a observar os encantos das primeiras paisagens que surgiam, pois estávamos começando a descer a serra e o trem foi diminuindo a velocidade e parou para serem colocados alguns cabos de aço. Ficamos um pouco apreensivos, pois o trem desceria através de alguns cabos de aço, que loucura!
         Novamente alguns apitos foram ouvidos  e o trem estava em movimento e descia a serra vagarosamente e as primeiras florestas da mata atlântica começaram a aparecer entre lindas flores, cachoeiras e voos maravilhosos de grandes pássaros.
         Comecei a filmar a linda paisagem e surpreendentemente fui convidado pela patroa a beber uma cerveja bem gelada no vagão refeitório e não recusei e lá fomos nós degustar a bebida.
         Na volta do vagão refeitório sentimos que o trem estava começando a parar novamente e finalmente parou bem em frente a uma linda cachoeira que descia do alto de um morro e ficou vários minutos parado para que nós apreciássemos aquela linda paisagem.
         Alguns passageiros de outro vagão apareceram no vagão onde estávamos e ofereceram alguns pedaços de bolo para adoçar mais ainda nossa magnífica viagem e a viagem foi seguindo e eu não cabia no meio de tanta felicidade.
         Os binóculos eram passados de mão em mão e já conseguíamos avistar bem ao longe o mar e a viagem estava terminando e vagarosamente o trem foi encostando na estação e apitando e nossas mochilas foram retiradas do bagageiro e saímos do vagão sobre grandes suspiros de felicidade e sempre olhando para trás uma máquina, apenas um trem capaz de proporcionar tanta alegria para nós simples mortais da grande metrópole.

domingo, 21 de junho de 2020

PARABÉNS SÃO PAULO

A satisfação e orgulho em ser paulistano são inefáveis, pois foi nesta maravilhosa cidade onde tudo aconteceu.
      Do meu nascimento no distante ano de 1955 onde através de mãos habilidosas da minha querida avó Maria que era parteira foi quando ecoou o primeiro choro no querido bairro da Vila Maria Alta.
      Os bairros por onde nossa família morou foram vários, mas resumidamente guardo em meu coração o querido bairro da Cidade A.E. Carvalho, na zona leste da cidade de São Paulo.
      Morávamos numa casa humilde com apenas três cômodos e não existia muro, pois naquela época a violência era bem menor que hoje.
      A minha adolescência foi repleta de felicidade neste querido bairro, desde a primeira namoradinha até completar os dezoito anos e ir morar no interior.
      O primeiro emprego de Office boy conseguido com tanto esforço no centro de Sampa, os lotadíssimos ônibus da CMTC, os bailinhos da Vila Ré, O Centro Educacional da Mooca e o mágico barulho dos trens que passavam pertinho de casa apitando e levando os trabalhadores com suas marmitas para os mais diversos lugares da grande metrópole são recordações que devo a querida Sampa.
      Mas São Paulo foi à cidade que me projetou para o mundo, deu-me confiança e habilidade de encarar qualquer situação adversa com muita naturalidade e se hoje encaro qualquer situação e as resolvo com muita facilidade, devo isto à querida cidade de São Paulo.
      As alegrias e sucessos constantes adquiridos nesta cidade são suficientes para dizer com muito carinho: Muito obrigado São Paulo por ser minha companheira durante os vários anos em que estivemos juntos e jamais me esquecerei dos maravilhosos momentos vividos ao seu lado. Te amo Sampa! Parabéns!

SÁBADO NO CLUBE

A Felicidade às vezes resume-se em alguns minutos que marcam tanto nossa memória que jamais esquecemos. Eu era garoto, tinha 15 anos de idade, trabalhava como office boy numa Companhia de Seguros no centro de São Paulo e nos finais de semana adorava ir a um clube na Mooca, chamado Centro Educacional da Mooca. Lá a diversão era garantida pelo complexo de três enormes piscinas que proporcionavam a alegria de tantos garotos e garotas dos bairros da periferia.
      Aos sábados, levantava-me bem cedinho, tomava um demorado banho, alimentava-me com deliciosas rabanadas preparadas por mamãe, colocava meu short jeans, camiseta regata, chinelo havaiana e seguia assobiando até o ponto de ônibus mais próximo de casa.
      O Sol enchendo o dia de alegria penetrava pelas janelas do coletivo dando sinais que o dia seria maravilhoso. Descia na Av. Radial Leste, passava na banca de jornal e comprava uma revista chamada “POP” e o jornal O Pasquim e seguia alegremente até o clube da Mooca.
      O bom dia ao porteiro era espontâneo e carregado de “Muito Obrigado por existir aquele clube maravilhoso”.
      Sentava-me nas macias e confortáveis poltronas de uma enorme sala de descanso, folheava a revista POP e encantava-me com fotos de praias maravilhosas, lugares encantadores e hippies andando pelo Mundo. Viajava nas páginas e ficava imaginando a alegria daqueles fotógrafos, jornalistas em fazer uma viagem tão linda.
      O tempo ia passando e as pessoas iam vagarosamente chegando ao clube, porque sábado era e ainda é um dia propício para dar espaço para a alma e fazer tudo com mais calma.
      Às vezes quando estava lendo um artigo da revista ou do Jornal, ficava tão compenetrado que esquecia que estava num clube e só ouvia os cantos dos pássaros saudando o dia maravilhoso.
      De tanto frequentar o clube, consegui uma namoradinha chamada Rebeca, a mesma morava na periferia e frequentava o clube assiduamente todos os finais de semana.
      A beleza de Rebeca era indescritível, era morena, cabelos longos, olhos verdes e adorava ler; a leitura foi um bom começo para o inicio do nosso singelo relacionamento.
      Sempre que Rebeca chegava ao clube, entrava sorrateiramente e sentava-se ao meu lado, às vezes nem percebia a presença da garota, mas o perfume que ela usava invadia meu olfato e denunciava sua presença e ela dizia calmamente:
-  Nossa, este artigo que você está lendo deve ser muito bom, pois nem percebeu minha presença!
Um pouco envergonhado, levantava-me e dava um carinhoso beijo na sua face e pedia mil desculpas pela distração. Ela sorria, abraçava-me e íamos tomar um delicioso café na cantina do clube.
       Lá pelas 10 horas entrávamos na piscina e ficávamos apreciando o que existia de mais encantador: O Sábado, a piscina e o lindo sorriso da minha querida namoradinha chamada Rebeca.

DATILOGRAFIA

 
Hoje olhando para o teclado do computador  fico maravilhado com as mudanças ocorridas nos últimos... ”deixa eu pensar” trinta anos, é exatamente por ai.   Lá pela década de 70  lembro-me que quando completávamos  treze  anos  nossos  pais  começavam a procurar uma escola de datilografia, que geralmente localizava-se nos bairros em que morávamos. Naquela época todos os bairros tinham uma escolinha de datilografia, onde recebiam os alunos carinhosamente para o aprendizado que eles levariam para uma vida inteira.
Comigo não foi diferente, logo aos treze anos minha mãe conseguiu matricular-me numa escola de datilografia que ficava no bairro onde morávamos. Era uma escola muito singela, com umas três máquinas Remington em cima de algumas mesinhas carcomidas pelo tempo, algumas folhas de papel sulfite e um professor magrelo com umas folhas amareladas que rapidamente colocou-as ao lado da máquina e passou a dar-me as primeiras instruções: colocar a folha na máquina, fazer as primeiras tabulações e orientar-me quando as duras teclas que deveriam ser apertadas sequencialmente imprimindo a mesma força para todos os dedos.
Meio atrapalhado e sempre observando a habilidade do professor magrelo, ficava imaginando onde alguém poderia aproveitar um datilógrafo medíocre como eu.
Mas eu não esmorecia e todo o dia lá estava eu, suando em bicas  a apertar as duras teclas da velha máquina de escrever Remington, até que num determinado dia disseram que eu já estava preparado para ser um datilógrafo. Ri muito e não acreditei,  cheguei com meu diplominha e coloquei na gaveta do guarda-roupa e fiquei pacientemente aguardando uma oportunidade de mostrar toda a minha habilidade de datilógrafo que tinha aprendido com o professor “caveirinha”.
   Não demorou muito e comecei a trabalhar numa Cia. De seguros e aí toda a minha habilidade fora demonstrada com grande habilidade e muitas folhas caídas pelo chão, até tornar-me um exímio datilógrafo e desafiar algumas empresas em querer trabalhar por produção.
   Mas isto aconteceu faz muito tempo e muitos jovens de hoje jamais têm a noção o que é uma máquina de escrever e não sabem nem de longe o que é ser datilógrafo e ter que aguentar o professor nas quentes tardes de verão, sem ventilador... Ufa, como adoro nossos dias.....mas sinto saudades  da antiga e amiga máquina de escrever  Remington, que virou peça de museu, assim como eu estou virando! 

TRUCO NA PRAIA

O mês de dezembro de 1995 chegara trazendo muito Sol, alegria e muitas pessoas bonitas para o litoral norte e lá estava eu vendendo os sorvetes do Senhor Jairo na Praia Itamambuca.
         Carregava a enorme caixa de isopor de sorvetes na Praia de Perequê-Açú e caminhava até o trevo onde estava a Rodovia Rio-Santos sentido Paraty-RJ e lá ficava aguardando pacientemente o ônibus que transportar-me-ia até a Praia de Itamambuca.
         Itamambuca é uma das praias mais lindas de todo o litoral norte de São Paulo, após aproximadamente uma hora de viagem apreciando a linda paisagem de belas praias descia na rodovia e caminhava até um pequeno povoado que localizava-se na estrada de terra distante uns três quilômetros da Praia de Itamambuca.
         Entrava no bar do Zé Prefeito e degustava algumas cervejas bem geladas e após sentir-me bem preparado e relaxado colocava a enorme caixa de isopor dentro de um carrinho da sorveteria que ficava amarrado embaixo de uma enorme árvore e caminhava vagarosamente pela maravilhosa estrada de terra assobiando lindas canções de Chico Buarque de Holanda e apreciando maravilhosas casas de ricos turistas e a mente viajava entre o pousar de um pequeno pássaro ou alguma pequena borboleta em pequenas árvores que completavam toda a beleza e encanto do local.
         Durante o breve percurso sempre acenava para algum turista que saia das mansões para recolher o jornal ou caminhava lentamente até o Bar do Zé Prefeito para comprar pães e leite para o café matinal ao lado de lindos cães.
         Ao chegar na praia estacionava meu carrinho de sorvetes ao lado do quiosque da Conceição e sentava-me confortavelmente num tosco pedaço de árvore e ficava aguardando meus primeiros fregueses que não demoravam a aparecer.
         Naquele dia a preguiça invadia minha alma e assim que cheguei na praia observei uma família ao redor de uma mesa colocada embaixo de um enorme bangalô jogando truco e bebendo cervejas.
         Fiquei muito feliz admirando tanta felicidade reunida entre gritos de truco e copos entornados de geladas cervejas e resolvi brincar com o pessoal dizendo:
- E aí pessoal aceitam um ótimo jogador de truco na próxima rodada?
Os olhares perscrutadores e alguns sorrisos foram lançados e pediram para eu aguardar a próxima partida que eu iria jogar com a toda a família. Fiquei eternos minutos aguardando o término da partida e entre a venda de um sorvete e outra um velho senhor acenava dizendo que eu iria ser seu parceiro no próximo jogo.
         O jogo terminou e pediram gentilmente para eu sentar que eu iria participar do jogo de truco e assim que terminamos de “bater os reis” e meu parceiro foi definido passamos a jogar cautelosamente entre uma piscada e outra para sinalizar a presença de alguma boa carta: copas, sete ouro, espada ou mesmo o zape e após alguns minutos eu e meu parceiro estávamos fora do jogo sendo humilhado por uma pequena garota que enfiou “seis” na nossa cabeça e lá estava eu e meu parceiro sentados humildemente no tosco tronco de árvore culpando-nos simultaneamente pela derrota.
         A conversa e as experiências da vida eram colocadas naturalmente no delicioso clima da praia e foi quando eu disse ao próspero senhor que torcia para o São Paulo Futebol Clube e ele sorriu e disse que amava muito o São Paulo e tinha ido até o Japão assistir a final e comprara uma enorme bandeira que estava hasteada no topo da sua residência e convidou-me para ir até sua casa com toda sua família.
         Tentei recusar o pedido mas não houve acordo, pediram gentilmente para eu guardar meu carrinho e seguimos à pé até a casa do meu mais novo amigo que ficava apenas um quilômetro da praia.
         Assim que avistei a casa do meu parceiro de truco não acreditei e meus olhos nunca tinham visto uma casa tão linda: Era em formato hexagonal, totalmente de vidro e uma enorme bandeira do São Paulo Futebol Clube tremulando no topo do Castelo. Exclamei: Nossa que maravilhosa casa!
         O meu mais novo amigo pediu que eu entrasse e assim que vi lindos tapetes brancos na sala recusei, pois os meus pés estavam um pouco sujos e ele disse:
- Ora Luiz deixa de frescura e entra logo que irei mostrar minha adega!
         Descemos alguns degraus de uma escada caracol e fiquei diante de uma adega repleta de vinhos de todas as marcas e procedências colocados numa enorme prateleira com pouca iluminação.
         O amigo observou vários litros e resolveu pegar um que ele tinha comprado na Espanha para brindar a minha presença e subimos e ficamos confortavelmente sentados ao redor de uma mesa branca ao lado de uma linda piscina conversando e rindo muito das nossas andanças pelo mundo.
         Fazia-se tarde e resolvi ir embora, pois necessitava pegar o ônibus para Ubatuba e meu amigo disse:
- Poxa Luiz, não fique preocupado com a sua locomoção, pois pedirei para o meu motorista levar você até sua residência.
         Bem mais despreocupado ainda coube tempo para bebermos algumas cervejas importadas entre vários sorrisos de felicidade e quando foi uma hora da manhã resolvi ir embora e foi quando ele chamou o motorista que apresentou-se e abriu a porta traseira do luxuoso carro e pediu gentilmente para eu entrar e eu comecei a rir muito e disse:
- Que isso amigo, não há a necessidade de tanta formalidade, vou no banco dianteiro mesmo! e assim seguimos viagem até a casa da minha tia Ana e quando chegamos e o lindo carro parou em frente da casa da tia Ana todos saíram para observar e disseram:
- Que amizade maravilhosa, tem até motorista particular! E caíram em gargalhadas. Entrei sorrindo e dei um enorme grito:

Truco!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

BAR DO FISGUETE



Dos vários bares que conheci ao longo dos meus sessenta e quatro anos de idade, existiu um bar que jamais irei esquecê-lo, chamava-se Bar do Fisguete.
         Diferente de tudo aquilo que um experiente boêmio possa desejar o bar ficava localizado no final da Avenida Conselheiro Antônio Prado, em Jacareí-Sp, de uma simplicidade invejável lá estava o querido e saudoso Fisguete para receber todos os boêmios no finalzinho da noite.
         Muito linda era a hora da abertura do bar, nunca antes das onze da noite e fechava apenas quando saísse o último freguês.
         Uma televisão antiga preto e branco pendurada numa das paredes, um enorme balcão e vários boêmios postados ao redor bebericando todos os tipos de bebidas alcoólicas existentes naquela época e degustando deliciosos churrascos no pão ou apetitosas almôndegas que repousavam numa estufa clamando uma boa mordida.
         Conheci o Bar após sair de uma choperia e ainda sentir muita sede de beber a famosa “saideira” e após rodarmos quase toda a cidade lá estava nosso Oasis e assim que chegamos ao bar ficamos um pouco apreensivos, mas mesmo assim entramos e sentamos numa carcomida mesinha e ficamos bebericando nossa “última” cerveja da noite.
         A partir deste dia sempre fazíamos uma parada no bar do Fisguete nas madrugadas e assim íamos seguindo e acabei descobrindo o que existia de mais engraçado e inusitado... era a corrida de São Fisguete, que acontecia no dia 30 de Dezembro para não existir concorrência com a São Silvestre.
         Resolvi participar e antes da corrida existia uma grande concentração no próprio bar do Fisguete e assim fazíamos nosso aquecimento entre cachaças, cervejas, vinhos e boas risadas.
         O mais engraçado é que só podia participar da corrida quem estivesse devidamente alcoolizado, caso estivesse sóbrio, era eliminado assim que a corrida começava, foi o que aconteceu comigo, pois eu não estava devidamente alcoolizado e após cem metros fui gentilmente retirado da corrida por importantes fiscais semi alcoolizados.
         A estrutura era enorme, pois existia até uma ambulância acompanhando os atletas e socorrendo os mesmo de possíveis quedas e era muito divertido, pois eram apenas mil metros a serem percorridos e quando a largada era anunciada via-se alguns atletas que mal conseguiam dar alguns passos e saiam da avenida e vencia quem chegava por último e a concentração novamente era no bar.
         Até hoje quando me lembro do bar do Fisguete sinto uma certa tontura e dou gostosas gargalhadas do que existiu de mais belo para todos os boêmios de plantão daquela época: Bar do Fisguete!

LIBERDADE

  Há tempos que venho sendo acordado pelo mavioso canto de um pássaro na velha jaqueira existente no quintal da casa onde eu moro. Acordava,...