quarta-feira, 6 de julho de 2022

TEATRO NA PRAIA

 Após anos aguardando minha aposentadoria eis que chegou o momento de colocar meus planos em ação: Vender empadas na praia. 

Mudei-me de Guarulhos para Caraguatatuba, litoral norte da cidade de São Paulo em setembro de 2021. Já conhecia a praia as cigarras, pois em 2015 além de vender empadas no centro de Caraguatatuba nos finais de semana vendia na praia das cigarras nos finais de semana. 

Hoje, dia 2 de julho de 2022, cheguei na praia das cigarras às duas horas da tarde com quarenta empadas de frango para vendê-las. Abri uma lata de cerveja e entre um gole e outro fiquei a observar quem estava feliz. Abaixei a cabeça e olhei a imensidão do mar e o céu estava azulzinho, sem nenhuma nuvem. Agradeci a Deus e fiquei a imaginar o que faria para vender todas as empadas neste dia. Eis que surgiu uma ideia maravilhosa: Iria montar um teatro para poder atrair a atenção dos turistas e oferecer minhas empadas. Fui até o final da praia apenas observando o grau de felicidade entre as pessoas e eis que lá estava um bangalô enorme armado sobre um grupo de jovens e crianças sorrindo e pareciam muito felizes. 

Abri mais uma lata de cerveja e entre mais alguns goles fiquei a contar quantas pessoas estavam envolvidas com aquela felicidade e alegria contagiante. Sim, lá estavam 23 pessoas jovens e crianças a sorrir para o mundo. Pessoas lindas!  

Afastei-me um pouco da felicidade das pessoas e convidei meu querido amigo imaginário cachorrinho chamado Luizinho para encenarmos mais um teatro da vida na praia. 

Vem Luizinho, vem.Ah cachorrinho preguiçoso nem andar na praia mais você quer. Está ficando velho?  

Tirei as caixas de isopor do ombro e coloquei na areia em frente do enorme bangalô, agachei-me e alisei mentalmente meu cachorrinho fictício e disse: 

Não vai cumprimentar este pessoal lindo Luizinho? 

Todos pararam e ficaram a observar o que eu estava fazendo. Alguns riam, outros cochichavam e colocavam em dúvida meu grau de sanidade. 

Entre tanta alegria dos lindos jovens há a necessidade de comer. Observei que estavam apenas bebendo cervejas e refrigerantes e não estavam comendo nada e novamente convoquei meu querido cachorrinho imaginário Luizinho. 

- Sabe Luizinho, este pessoal deve estar com muita vontade de comer empadas, o que diz? 

Eu dava alguns grunhidos imitando um cachorro e prosseguia. Quer que eu aborde o pessoal ou deixo para você meu querido amiguinho Luizinho? 

Uma linda garota perguntou quem era o Luizinho e eu disse: 

É meu cachorrinho que me ajuda a vender as empadas. Não está vendo-o? Ah, existe meu anjo da guarda também que me acompanha; chama-se: Gabriel. Estão vendo? 

Um jovem esboçou um sorriso de espanto, colocou o dedo indicador na cabeça e disse: Deve ser louco! 

Observei mentalmente o rabinho do Luizinho abanando e incentivando minha pessoa e dizendo: 

Vai patrão que a praia é sua.  

Cheguei com um sorriso do doutor Mauro, abri e boca e entre alguns sorrisos saudei cordialmente o pessoal. 

Olá jovens lindos e maravilhosos jovens procuro a felicidade, e eis que a encontrei, ela está aqui. Procuro também três vendedores e alguém que goste de empadas de frango feita pela vovó. Conhecem alguém? Todos ficaram quietos e entre alguns sorrisos eu entrei em cena. 

Imediatamente quatro pessoas levantaram as mãos e identificaram-se. Três jovens homens eram vendedores e uma linda garota chamada Amanda amava empadas. 

Tirei uma empada da caixa de isopor e ofereci gratuitamente para a Amanda, a jovem que adorava empadas para apreciar e degustar a oitava maravilha do mundo. 

Todos pararam de conversar e ficaram a observar o teatro da praia e entre uma dentada e outra a Amanda olhava para o céu, para o mar e dizia: 

  • Meu Deus, que delícia! E ainda grátis! Se vocês quiserem comprem, pois esta é minha por ser a garota mais linda da praia. Concordei plenamente com a Amanda. 

Tiago levantou-se cautelosamente da cadeira de praia aproximou-se da minha pessoa e disse: 

Que abordagem linda! Não vai convidar seu amigo Luizinho para entrar? 

Vem Luizinho, vem, mas não avança em ninguém e nem morde ninguém..viu. 

  • Sabe quem é moça que está degustando sua empada? Perguntou Tiago, um dos jovens que estavam no bangalô chamado Felicidade. 

  • Sim, sei perfeitamente que entre os prazeres da vida as empadas estão inseridas no fino paladar desta linda garota, a mais linda da praia. 

Tiago se apresentou e disse que era vendedor de casas e apartamentos na cidade de São Paulo, era um corretor de imóveis e perguntou para Amanda: 

  • E aí “Amor” o que diz da empada? Ela mais uma vez olhou o lindo céu sem nenhuma nuvem olhou para o mar e disse: 

  • Maravilhosa a empada! Amei. Aprovadíssima. 

Foi então que Tiago disse: 

Sabe vendedor de empadas e artista quem está fazendo aniversário hoje? E eu disse que não sabia e ele imediatamente apontou a Amanda sua querida namorada degustadora de empadas. 

Entre os meus desejos de felicidades para a linda jovem Amanda  

Claudio levantou-se da cadeira e disse para que todos ficassem quietos pois a abordagem era inédita e nunca ele tinha visto nada igual. Após eu explanar o motivo de estar fazendo aquele teatro, Thiago disse: Parabéns vendedor, são pessoas assim que precisamos encontrar na praia. Alegres, de bem com a vida e muito simpático. Agradeci e o Tiago perguntou: 

Deixa-me ver quantos então entre nós, mas pode tirar dez empadas da caixa de isopor e colocá-las na mesa e aceita esta cerveja enquanto degustamos as empadas. 

Alguns se aproximaram, pegaram as empadas e começaram a comer e um outro vendedor se aproximou e disse: 

Pelo teatro, pela qualidade e sabor das suas empadas, embrulha dez empadas para eu levar para minha querida mãe e avó que adoram empadas. 

Coloquei as empadas no pratinho de isopor e dei ao vendedor Carlos que disse: 

Quanto devemos? Vinte empadas? 

Falei o valor e ele imediatamente pagou via pix. 

Sorri, despedi dos lindos jovens e disse: 

Vamos Luizinho ainda temos muito teatro de praia para encenarmos hoje. E lá fomos nós, eu, meu cãozinho imaginário Luizinho e meu anjo da |guarda Gabriel. 

Quando eu estava saindo do bangalô todos deram parabéns pelo meu teatro, pelas empadas e disseram: 

Este é um verdadeiro vendedor de praia. Vai com Deus e cuida do Luizinho para não morder ninguém e um beijo no seu anjo da guarda. 

 

 

 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

MEU AMIGO PAIVA

 Após um longo processo seletivo em uma repartição pública da cidade de Ilhabela, litoral norte da cidade de São Paulo fui aprovado para o cargo de Auxiliar de Serviços Gerais e fui convocado para apresentar os documentos e fazer o exame médico.

Fomos recebidos em uma enorme varanda da repartição pública e lá estava eu com minha barraca de camping nas costas esperando a minha vez de ser chamado para apresentar todos os documentos exigidos e eis que aproximou um senhor e nos apresentamos, ele chamava-se Paiva e foi logo perguntando:

O senhor é da onde senhor Luiz? Respondi calmamente: sou de Guarulhos, São Paulo e o Paiva disse que morava em Caraguatatuba, São Paulo e perguntou onde eu iria ficar após a contratação para exercer o cargo de ASG. Olhei alguns pássaros que pousavam nas árvores fazendo uma enorme algazarra e disse:

— Olha amigo, até agora não tenho nenhum lugar para hospedar-me e ficaria muito grato se você pudesse indicar um lugar neste paraíso e foi quando o Paiva disse:

— Senhor Luiz, onde moro tenho alguns chalés para alugar, caso o senhor se interesse está a sua disposição.

Esbocei um sorriso de agradecimento e disse que ficava muito longe da ilha e tentaria arrumar algum lugar para morar perto do local de trabalho.

Após uma longa e agradável conversa com meu mais novo amigo Paiva, sentei-me em uma mureta, acendi um cigarro e fiquei a imaginar:

“Poxa! este "cara" deve ser uma pessoa muito boa, pois, ofereceu um lugar para eu morar.”

No meio dos candidatos apareceu uma senhora muito simpática que era chefe de uma seção da repartição e disse para nós que necessitava de dois homens para trabalhar no setor de limpeza geral e meu amigo Paiva fez o convite para mim que aceitei de imediato, pois, imaginava que durante o nosso trabalho poderia nos conhecer melhor e esticar nossa conversa por longos dias de trabalho.

Logo no primeiro dia de trabalho percebi que o serviço seria um pouco diferente daquilo que eu imaginava e assim começamos a varrer lentamente a frente da repartição pública entre vários diálogos e a minha curiosidade em conhecer o local de trabalho, as novas colegas de trabalho, os chefes da repartição, olhava para o outro lado da rua e sentia que ali seria o meu lugar, sim eu estava morando em uma ilha, Ilhabela e faria de tudo para manter-me por um longo período naquele paraíso.

O tempo foi passando e conheci uma senhora muito falante e muito risonha e tornamos muito amigos e ela fazia questão de levar-me a todas as repartições para conhecer tudo e todos e lá ficava meu amigo Paiva a desempenhar o cargo com muita responsabilidade e quando eu chegava da minha visita o meu amigo Paiva perguntava:

— O senhor foi aonde senhor Luiz? Eu respondia.

— Ah! Fui conhecer um novo departamento com minha nova amiga.

— Mas o senhor esqueceu do serviço que teria que fazer e nossa supervisora veio perguntar do senhor e onde estava.

— Poxa! Paiva, desculpa, tinha até esquecido desta parte, mas prometo que não cometerei mais este ato e quando minha amiga me convidar para nova excursão pelos departamentos vou declinar.

O semblante do meu querido amigo Paiva mostrava muita irritação e eu ficava um pouco apreensivo, mas bastava minha nova amiga aparecer e fazer um novo convite para “os passeios” pela repartição lá estava eu saindo sorrateiramente deixando meu amigo Paiva sozinho com as tarefas da repartição.

Após algumas semanas conhecendo toda a repartição pública (resolvi) encarar as minhas tarefas com um pouco mais de responsabilidade o que deixou o meu amigo Paiva um pouco mais tranquilo.

Após alguns meses desempenhando minha nobre função pedi uma transferência para trabalhar em uma escola e quando me despedi do querido amigo Paiva ele disse:

Boa sorte senhor Luiz, seja muito feliz e vê se no novo local de trabalho consegue um pouco mais de pró-atividade, respirou fundo e retirou-se calado e lá fui eu trabalhar pesadamente na escola.

O tempo foi passando e às vezes nos encontrávamos e o meu querido amigo Paiva ficava relembrando o pouco tempo em que estivemos trabalhando entre muita prosa e sorrisos, ora alegres, ora irritados pelo meu desempenho quanto ao meu nobre cargo.


LIBERDADE

  Há tempos que venho sendo acordado pelo mavioso canto de um pássaro na velha jaqueira existente no quintal da casa onde eu moro. Acordava,...